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Paixão pelo colega de trabalho

Paixão pelo colega de trabalho - Coluna Elis Monteiro

Em recente pesquisa, a revista britânica More (Fonte BBC Brasil) revelou que metade das mulheres de seu país encontrou o amor de suas vidas no trabalho. O mundo moderno, em que as mulheres gastam cada vez mais tempo trabalhando, contribui muito para isso. Cerca de 64% delas disseram flertar com colegas e oito em cada dez revelaram já ter sentido atração por alguém com quem trabalharam.

Apaixonar-se, neste caso, costuma requerer cuidado, principalmente para as mulheres, que podem se tornar alvo de homens que só querem espalhar sua fama de conquistadores corredores à fora. Por outro lado, os relacionamentos também podem se tornar sérios e, sendo assim, devem ser transmitidos logo ao chefe, evitando qualquer tipo de fofoca ou mal-entendido. Deve-se atentar para o fato de que muitas empresas não vêem com bons olhos o relacionamento entre colaboradores, resultando na demissão de pelo menos um deles.

Com Rodrigo Fontes* foi diferente. Gerente de uma grande organização e casado com Marta*, analista que conheceu durante um treinamento na empresa, ele afirma que seu relacionamento não sofreu preconceito, mas o início foi um pouco difícil: “Algumas pessoas teciam comentários maldosos e quando tudo está recente é uma saia-justa, mas, depois de casados, não aconteceram mais problemas”. Os dois continuam na mesma empresa e seguem trabalhando em setores diferentes.

Segundo Rodrigo, maturidade no relacionamento é fundamental para saber separar seu próprio momento profissional do momento do parceiro: “Trabalhar junto tem muitos pontos positivos, mas, é claro que os dois não crescem na carreira na mesma proporção, então tem que haver uma boa dose de compreensão e companheirismo”.

Com Márcia e Flávio Gameiro, a história foi outra. Não se conheceram no trabalho, mas, depois de casados, Márcia passou em um concurso público e foi trabalhar no mesmo setor do marido, que é médico e funcionário do Estado há mais de 25 anos. “Quando surgiu a oportunidade em um concurso, me inscrevi para sanitarista em epidemiologia, a área dele. Era um desafio, já que eu também tinha tempo de serviço na área”, diz a psicóloga. Com a responsabilidade nas mãos, Márcia teve ajuda do marido nos estudos e o resultado foi o 2° lugar no concurso.

Hoje, trabalham juntos na Secretaria de Saúde e Defesa Civil do Estado do RJ. E detalhe: Flávio assumiu a coordenação do setor e virou chefe direto de Márcia. Para ele, chefiar a esposa não tem mistério nem reflete no relacionamento em casa: “O segredo é ser sempre imparcial. Trato-a igual aos demais, consigo separar bem”, declara. Márcia concorda e diz que acha ótimo trabalhar com ele, já que sua coordenação é muito democrática: “Só às vezes me intrometo e faço algumas críticas, mas sempre em casa. É porque sou muito metida”, brinca.

Aliás, levar comentários sobre o trabalho para casa parece ser inevitável, até porque mesmo aqueles que não atuam juntos acabam desabafando sobre os questionamentos do emprego com o parceiro. O problema é levar os assuntos pessoais para o trabalho. Isso sim nunca deve ser feito, já que ninguém quer ver sua vida em pauta no escritório.

Outra questão crucial é saber dar limites. Márcia sofreu na pele e teve que testar seu jogo-de-cintura: “Muitas pessoas quando me conheciam perguntavam se eu era mulher do Flávio e eu respondia que não, que era a Márcia, sanitarista concursada. Levou um tempo para as pessoas perceberem que éramos profissionais distintos no setor, e não marido e mulher”, explica.

A dica é saber separar a vida pessoal da profissional. Mesmo com o marido ou namorado na mesa ao lado no escritório, o que deve aparecer no ambiente de trabalho é o lado profissional de ambos.

*Os nomes foram modificados a pedido dos entrevistados.

Livia Torres. Colunista da RJNET. Formada em Jornalismo pela PUC-RJ e pós-graduanda em Marketing Empresarial pela UFF. Já trabalhou em organizações como a FIRJAN e hoje atua com Comunicação e Marketing em uma empresa de grande influência no segmento de Tecnologia da Informação.

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