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E seu português, como vai?

E seu português, como vai? - Coluna Livia Torres

Aprendemos novos idiomas, procuramos nos expressar verbalmente de modo correto, mas muitas vezes ignoramos as regras gramaticais e ortográficas do nosso próprio idioma, o português. Conseqüentemente, os riscos aumentam e as dificuldades no ambiente profissional florescem: confusão para compreender textos, revisar materiais, escrever e-mails e argumentar.

É praticamente impossível desconectar as prováveis causas de um português ruim ao falho ensino fundamental aplicado no país. Professores mal pagos, alunos que são automaticamente passados de ano, entre outros casos, favorecem o enfraquecimento da língua portuguesa, que já é muito complexa por si só.

Outra razão, muitos apontam, seria a internet. Afinal, ela prejudicaria o aprendizado por afastar os indivíduos do “lápis e papel”, além de possuir uma linguagem típica (já chamada de “Internetês”) onde “é” vira “eh”, “não” vira “naum” e por aí vai. Mas, mesmo antes da internet existir, muitos já escreviam errado. A questão parece, na realidade, o fato de se saber aplicar cada linguagem à sua hora e local apropriado. O “Internetês” foi criado como uma forma própria de se comunicar entre os internautas, que demonstra, principalmente, a necessidade de uma comunicação rápida. O que não é apropriado é que essa nova maneira de se comunicar ultrapasse os limites do computador.

Mas, felizmente, ninguém precisa se render à má escrita eternamente e há como reverter o jogo, já que escrever bem é algo completamente viável para todos. Primeiramente, não há como escrever bem e ler mal. Desconfie se alguém escrever bem e disser que quase não lê. Essa pessoa deve ler, sim, e muito. A leitura ajuda a fixar as palavras e até torná-las palpáveis, conhecidas. Tânia Ferreira*, secretária executiva de uma grande empresa petrolífera, reconhece que um erro de português em sua profissão é algo muito grave, o que faz com que sua atenção seja redobrada. Segundo ela, ler é o quesito principal para uma boa escrita: “A pessoa pode não ser catedrática em português, mas de tanto ler acaba gravando palavras escritas corretamente e, sendo assim, erra o menos possível”.

E, sem dúvida, o hábito de ler vai muito além da dimensão de uma boa escrita, ajudando a adquirir conhecimento, novos vocabulários, capacidade de compreensão e interpretação de textos, argumentos e idéias. Isso só para mencionar alguns benefícios. Depois de criar o hábito da leitura, é importante que a pessoa passe a escrever mais. E muito. O único jeito de melhorar e aprender é exercitar o cérebro. Treinar, treinar, treinar. Dessa maneira, as chances de se cometer gafes no ambiente profissional diminuirão consideravelmente.

Outra dica é ter sempre uma séria preocupação após redigir cartas ou e-mails: a revisão é obrigatória, no mínimo, uma vez. É necessário reler o que se acabou de escrever. Na pressa, pode acontecer de comermos uma letra, deixar de colocar um acento aqui ou acolá, escrever de modo que as idéias se atrapalhem. Mas, na revisão minuciosa e cuidadosa, esses erros podem ser corrigidos. No ambiente profissional, escorregar no português passa uma má impressão, enfraquece a imagem do profissional, além de poder causar erros de compreensão e interrupção da mensagem.

Livia Torres. Colunista da RJNET. Formada em Jornalismo pela PUC-RJ e pós-graduanda em Marketing Empresarial pela UFF. Já trabalhou em organizações como a FIRJAN e hoje atua com Comunicação e Marketing em uma empresa de grande influência no segmento de Tecnologia da Informação.

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