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Netbook, o charme da simplicidade

Netbook, o charme da simplicidade  - Coluna Elis Monteiro
Eles não são notebooks nem tampouco smartphones (telefones inteligentes). Os tais netbooks, que começam a aparecer cada vez mais nas prateleiras das lojas, são o grito do momento na área da mobilidade tecnológica, e já fazem parte da estratégia de todas as fabricantes de computadores pessoais e, agora, às empresas que se dedicam exclusivamente ao concorrido mercado de telefonia, como Nokia e Apple.

Afinal, o que são os netbooks? Em primeiro lugar, eles são facilmente identificáveis pelo tamanho diminuto — são pequenos demais para serem notebooks e grandes demais para ser classificados como smartphones. Foram feitos preferencialmente para acesso móvel à internet, mas quebram um galho para quem quer trabalhar sem os desagradáveis fios a tiracolo.

O primeiro netbook a fazer sucesso chegou pelas mãos da Asus, em outubro de 2007 — quem não ouviu falar do modelo EEE PC, que tem como slogan “Fácil de aprender, trabalhar e jogar”? A frase faz todo sentido, uma vez que o netbook é voltado para quem não busca grande performance mas gostaria de ter às mãos um aparelho com tela confortável o suficiente para navegar na internet, escrever pequenos textos, mandar emails e, de quebra, se divertir um pouco. Uma curiosidade: o nome do netbook da Asus nasceu justamente por conta desse slogan, que em inglês é “Easy to learn, Easy to work, Easy to play”. Ou seja, três “Es”.

A Asus abriu as porteiras para um novo segmento que tem tudo para ser a coqueluche de 2009 e, a julgar pelo que vem acontecendo, também de 2010, 2011, 2012... Isso porque, logo no primeiro ano de vida, um milhão de unidades de EEE PC foram vendidas. Não é pouca coisa, não.

Já em 2008, as vendas desse tipo de equipamento saltaram para 11,7 milhões de unidades. A expectativa para o ano de 2009 é ainda mais animadora. Segundo a empresa de pesquisas Gartner Group, devem ser vendidos nada menos que 21 milhões de netbooks este ano, um crescimento de quase 80% no ano. Cá entre nós: que outro segmento cresce tanto, ainda mais em plena crise econômica mundial?

Outra pesquisa, esta realizada pela ABI Research, é mais otimista e prevê que o mercado de netbooks deverá apresentar um forte crescimento nos próximos anos — só em 2009, previu a consultoria, deverão ser comercializadas 35 milhões de unidades desse produto. Outro dado é que até 2013 as vendas de netbooks deverão somar mais de 139 milhões de unidades.

Mas por que tanto interesse em um equipamento tão limitado — tecnicamente falando? Tudo num netbook é pequenino: o teclado é menor, a tela também (costuma ter entre 7 e 10 polegadas), o processador não é tão parrudo, os modelos costumam ter pouca memória RAM e em alguns casos só se usa memória flash (via cartões de memória). Mesmo assim, eles estão fazendo o maior barulho porque são muito mais baratos (há modelos custando menos de R$ 1 mil), fáceis de transportar e bonitinhos.

 

O sucesso registrado em 2008 foi tão retumbante que abriu os olhos de empresas do porte da Nokia, cujo presidente Olli-Pekka Kallasvuo (mais conhecido como OPK) deixou escapar, durante entrevista a uma rede de TV finlandesa, que a líder mundial do mercado de telefones celulares pensa seriamente em entrar no mercado de notebooks. Imediatamente, cogitou-se a possibilidade de os tais notebooks serem, na verdade, netbooks, que seriam nada mais que aparelhos maiores que qualquer smartphone da empresa só que voltados exclusivamente para o conforto dos internautas móveis.

 

Outra que deve lançar um netbook é a Apple, mãe do sucesso iPhone, um celular simples para acesso à internet. Os rumores começaram a circular quando o jornal chinês “The Commercial Times” publicou reportagem afirmando que a empresa Wintek, de Taiwan, teria sido selecionada pela Apple para fornecer painéis sensíveis ao toque voltados para a nova linha de produtos da Apple. A matéria faz sentido, uma vez que o próprio Steve Jobs chegou a adiantar a previsão de que, num futuro não muito distante, uma geração do iPhone poderia ser parecida com um netbook, ou seja, um aparelho portátil para acesso à internet em movimento.

Agora, as operadoras de telefonia celular é que estão atrás desse tipo de equipamento. O casamento é perfeito e, espera-se, muito lucrativo. A ideia é oferecer acesso móvel à internet — no caso das operadoras, às suas redes 3G. Assim, firma-se um contrato com uma fabricante (Asus, Acer, Lenovo, HP, Dell, dentre outras) e o tal aparelho já pode sair de fábrica com o chip da operadora integrado, levando o usuário a consumir tráfego internet através das redes destas mesmas operadoras. Uma verdadeira jogada de mestre.

Elis Monteiro é repórter e colunista do caderno Info etc do Jornal O Globo, foi repórter especial do caderno Informática do Jornal do Brasil, onde participou da equipe responsável pela criação do caderno Internet.

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