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As peculiaridades do uso do SMS

As peculiaridades do uso do SMS  - Coluna Elis Monteiro
Em coluna recente falamos do aumento do uso da mensagem de texto via celular (SMS) por parte dos jovens, que já trocam as ligações de voz pelos torpedos para comunicação com amigos e familiares. Os motivos da troca são muitos: os SMS são mais baratos, menos invasivos e perfeitos para os tímidos e/ou aqueles que não gostam de falar ao telefone. O índice de adesão ao serviço, lá fora, é tão alto que já vem sendo estudado por especialistas em saúde, preocupados com o impacto do excesso de envio e recebimento de mensagens na vida dos jovens.

 

Pois uma pesquisa fresquinha divulgada pela fabricante finlandesa Nokia, líder de mercado na venda de celulares no mundo, mostrou que o uso do SMS tem peculiaridades interessantes que vão além do fato de ele já ser a forma preferida de comunicação da juventude.

 

A pesquisa destacou, por exemplo, que 64% dos brasileiros enviam mensagens de texto durante encontros românticos. Sim, é isso mesmo: os usuários estão tão ligados a seus telefones que não desgrudam deles nem quando estão namorando. Não à toa já se fala que o celular é um prolongamento do corpo do dono.

 

A pesquisa incluiu usuários de países como Brasil, México, Venezuela e Argentina, e constatou aquilo que já tínhamos antecipado: o SMS já é mais popular que as ligações de voz. Apenas nos últimos 30 dias, 89% dos entrevistados enviaram pelo menos uma mensagem via celular. O levantamento foi feito pela internet com 1.003 cidadãos da América Latina com idade a partir de 18 anos. Segundo a Nokia, a margem de erro está em 3,1 pontos percentuais.


Há outros dados curiosos: na Argentina, 81% dos usuários admitiram que enviam SMS enquanto estão no banheiro; já 66% dos mexicanos o fazem durante casamentos. Já na Venezuela, 57% dos usuários admitiram que mandam mensagens enquanto assistem a filmes, ou seja, não há filme que consiga segurar a vontade dos venezuelanos de se comunicar. Menos mau: no cinema, mais vale um torpedo que uma ligação de voz, muito mais invasiva e incômoda.

Além das mensagens de texto, a pesquisa constatou que os usuários de celulares gostam de ouvir música (77% dos entrevistados) e assistir vídeos (66% dos ouvidos pelo estudo).

 

Outro fenômeno constatado pela Nokia é o uso emergente de redes sociais móveis. Mais da metade dos entrevistados afirmou que acessa este tipo de serviço através de seus celulares. No Brasil, 13% dos ouvidos confessaram já ter terminado relacionamentos por causa de redes sociais e 12% já contaram aos amigos sobre um novo emprego usando as redes virtuais móveis.

 

O estudo também tocou num ponto interessante: 19% dos entrevistados pela Nokia confessaram já ter enviado um recado constrangedor para a pessoa errada usando um site social pelo celular. Por isso, sempre é bom lembrar: “nunca mande SMS nem ligue para ninguém, do celular, depois de alguns chopes”. Não são poucos os casos de usuários que fazem uso do telefone quando não estão em pleno domínio de suas emoções. O resultado? Ressaca e constrangimento – e arrependimento - no dia seguinte.

O SMS já é uma aposta das operadoras de telefonia para incrementar sua receita em serviços de dados. Para tanto, oferecem pacotes que incluem mensagens de texto gratuitas em grande quantidade. A Claro, por exemplo, anunciou uma promoção que garante 50% de desconto no uso do SMS durante a madrugada, o que pode vir a incentivar o uso do serviço por parte dos baladeiros de plantão.

 

Lembrando que, em comparação com outros países, o preço do SMS no Brasil ainda é alto: em média, R$ 0,30 cada um (o minuto da ligação de voz fica, em média, por R$ 0,80). Mas na Argentina cada mensagem custa cerca de US$ 0,04, contra US$ 0,13 no Brasil. O resultado é que cada cliente argentino envia cerca de 150 mensagens por mês, enquanto no Brasil essa média é de cinco ou seis. Ou seja, o serviço ainda tem muito a crescer por aqui. E, junto, vão aparecendo as suas peculiaridades.

Elis Monteiro é repórter e colunista do caderno Info etc do Jornal O Globo, foi repórter especial do caderno Informática do Jornal do Brasil, onde participou da equipe responsável pela criação do caderno Internet.

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