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Meu primeiro iPhone

Meu primeiro iPhone  - Coluna Elis Monteiro
Meu primeiro celular era um Nokia, quadradão, não me lembro bem qual modelo. Mas desde então – lá se vão uns dez anos – eu sempre fui fã da marca finlandesa. Primeiro porque a bateria é, disparado, a melhor, até hoje. Não que use um material diferente, mas o gerenciamento de consumo de energia dos aparelhos Nokia é de longe o mais inteligente. Desde o quadradão, passei por muitos modelos da fabricante e no meu blog www.telefoniaetc.com.br acabei ficando conhecida como “nokiamaníaca”, pecha que nunca recusei porque a admiração era declarada mesmo.

Meu último Nokia, um N95 8GB, foi sonho de consumo acalentado por muito tempo e, quando troquei de operadora, consegui levar um para casa. Passamos bons momentos juntos, ainda mais porque a câmera é excelente (5 megapixels com flash e lente Carl Zeiss) e lidar com o sistema operacional Symbian é muito simples.

Até que um dia me deparo com o iPhone 3GS, cria da Apple, que acabou de ser lançado no Brasil. Nunca fui muito fã do iPhone porque nas primeiras versões ele trazia deficiências que fazem diferença para quem é ligado em detalhes como mensagem multimídia (MMS), gravador de vídeo e a possibilidade de “copiar e colar” textos. Eu era um desses casos. Mesmo que nunca viesse a usar as funções, não aceitava o fato de o iPhone não as trazer.

Com o upgrade do sistema operacional móvel da Apple, o iPhone 3G (penúltima versão lançada) se aproximou muito daquilo que eu buscava num celular. Mesmo assim, meu Nokia velho de guerra continuava sendo melhor em quase tudo. Menos... na navegação na internet! E isso ultimamente tem me feito uma falta danada, ainda mais depois que comecei a investir mais (profissionalmente) nas mídias digitais como Twitter, Facebook, etc. Preciso ter tudo isso funcionando no aparelho, esteja eu onde estiver. E pelo menos por enquanto nenhum aparelho entrega ao usuário uma navegação mais simplificada e intuitiva que a do iPhone.

Assim, depois que participei do lançamento do iPhone 3GS, comecei a ter tremedeiras – precisava daquilo, queria mergulhar no universo de aplicativos, baixá-los todos e, claro, instalar no desktop do aparelho todos os programetes de mídias sociais que uso no meu dia-a-dia. Só que, agora, em versão móvel.

Conseguir um iPhone 3GS ainda não é muito fácil porque as operadoras primeiro estão privilegiando os usuários que fizeram pré-cadastro; depois, elas passarão a atender a toda a base de assinantes; por último, vão vendê-lo para os usuários que fizerem portabilidade numérica e se transferirem de mala e cuia para a operadora em questão. Eu não cheguei a fazer o pré-cadastro, mas já era assinante e, assim, consegui comprar o meu iPhone 3GS. Como ainda estou sob fidelização (por ter ganhado o N95 8GB), tive de pagar preço cheio, ou seja, o valor de pré-pago. Fiz uma pequena loucura e fui tentar ser feliz.

Uma semana depois, continuo em lua de mel com o iPhone 3GS. E explico rapidamente por que: em primeiro lugar, navegar pela internet usando um iPhone é muito simples. Parece que a Apple chamou um amontoado de usuários leigos e captou de cada um deles a percepção de que se faz necessário um browser intuitivo que não exija nada além do toque dos dedos. O Safári, o tal navegador, é simples, rápido (ainda mais rápido no iPhone 3GS, que ganhou um bom upgrade de processador e, assim, de velocidade) e chega-se a qualquer página com alguns toques. Também é divertido dar zoom nas páginas, aumentar e diminuir o tamanho, usando e abusando do multitouching, tecnologia que a Apple apresentou ao mundo.

E se a versão anterior pecava em muitos pontos, o 3GS é quase perfeito. Tem câmera de vídeo (sem flash, infelizmente) e grava filmezinhos em VGA. A câmera é de 3 megapixels, muito inferior à dos modelos top da Nokia. Mas brincar com as imagens, mesmo que sejam com qualidade um tanto inferior, é um barato. O novo modelo também traz um gravador de voz bonitinho e a possibilidade de navegar entre as músicas com comandos de voz.

Por falar em música, muitos esquecem, mas o iPhone também traz um iPod. Junto, porém, traz a obrigatoriedade de uso do iTunes, software detestável do qual a Apple não abre mão. Mesmo assim, é um iPod...

Outra novidade legal é a bússola que trabalha em conjunto com o Google Maps e vai guiando o usuário enquanto este anda por aí. Mais uma bobagem que pode não fazer grande diferença “real”, mas é uma graça de mostrar e de usar.

O melhor do iPhone, no entanto, é o universo de aplicativos que podem ser baixados via App Store. Os primeiros que baixei foram, claro, o Facebook e o Twitter, que funcionam redondinhos, já que são customizados para o sistema da Apple e tornam-se muito funcionais. Para postar um tweet, por exemplo, basta acionar o ícone do programa, se entender com o teclado touchscreen (com o passar dos dias, fica cada vez mais fácil) e mandar ver nos 140 caracteres. Já o Facebook chega sob a forma de um aplicativo simples que permite edição de álbuns, envio de fotos, atualização de status e muitas outras aplicações.

Aqui, sendo muito sincera, posso afirmar: com um iPhone na mão, um desktop (ou notebook) pode até ser dispensável, desde que você não precise ficar digitando textos longos. No meu caso, mando emails e escrevo tweets via iPhone, mas para os textos maiores preciso recorrer ao notebook.

Também baixei o Skype (ainda não testei) e umas bobagens que vão fazer a alegria do meu filhote assim que eu tiver a coragem de deixá-lo brincar com o aparelho. Ah sim: coloquei uma película protetora, fiz seguro anti-roubo e comprei uma capinha de couro que protege o aparelho das intempéries, principalmente dos seres que habitam a minha bolsa. Porque se tem uma coisa que pode ameaçar um celular é uma bolsa de mulher.

Elis Monteiro é repórter e colunista do caderno Info etc do Jornal O Globo, foi repórter especial do caderno Informática do Jornal do Brasil, onde participou da equipe responsável pela criação do caderno Internet.

» Para comentar esta matéria entre em contato com a Elis Monteiro.

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