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INTERNET: com que conexão?
Elis Monteiro

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Caderno Info, Etc, jornal O Globo - Rio de Janeiro, 01/05/2006

Os anúncios são de encher os olhos (e os ouvidos), mas nem sempre aquilo que se vende corresponde à realidade. Conexão à internet ainda é um assunto delicado, principalmente porque as tarifas ainda não são as ideais e, muitas vezes, as operadoras enfiam os pés pelas mãos: em busca de clientes vendem o que não têm ou não dão conta do que vendem.

Resultado: contratempos. O estudante Davi Souza, por exemplo, ficou empolgado quando viu o anúncio das novas velocidades do Velox. Ele pagava cerca de R$ 90 mensais pelo acesso a 600Kbps e decidiu migrar para o plano de 1Mb. Procurou a Telemar para aumentar a velocidade pagando menos (R$ 62,90). Durante 20 dias, conta Davi, ele tentou contato com o Velox. Não conseguiu. Uma mensagem automática dizia que a Telemar estava efetuando uma manutenção emergencial e que o cliente deveria tentar novamente em duas horas”. Mas as duas horas multiplicavam-se...

Depois de 20 dias, o cliente fez um caminho diferente: ligou para a central de novos assinantes. Lá, conseguiu convencer a atendente a transferi-lo para o setor que providenciasse o upgrade. Foi atendido de imediato e a conexão foi alterada para 1 Mb em menos de 24 horas.

— Fica a clara sensação de que eles simplesmente bloquearam a via de comunicação normal dos antigos assinantes — diz.

O Velox tem 805 mil clientes nas regiões onde atua. Além do Vírtua, seu principal concorrente no quesito acesso ainda é a internet discada, usada por mais de 40% dos internautas do país. Dos provedores de acesso discado, iBest e iG são responsáveis por 60% da minutagem total, ou seja, ainda são os campeões de acesso.

— A internet discada não morreu. A Telefônica, por exemplo, prevê 500 mil novos usuários de acesso discado este ano — diz Luiz Antônio Braga, diretor comercial do provedor Infolink, que trabalha com internet discada e também banda larga.

A via-crúcis enfrentada por Davi é semelhante à de muitos outros que, assim como ele, querem turbinar a conexão mas não conseguem o upgrade. Neste ponto, vale ressaltar que a concorrência está acirrada e não é só a Telemar que oferece o acesso em altas velocidades. A Net/Vírtua lançou o serviço Mega Flash, com velocidades de 2Mb, 4Mb e 8Mb para download (recebimento) e 300Kbps, 600Kbps e 600kbps para upload (envio). Preços: R$ 99,90 (2Mb), R$ 119.90 (4Mb) e 219,90 (8Mb). A instalação padrão sai por R$ 120. Não é preciso mais ser cliente da Net (TV por assinatura) para contratar a banda larga.

Só para deixar claro: o acesso do Mega Flash é feito via cable modem — a estrutura usada é a do cabo e há necessidade de autenticação via provedor. Neste caso, o cliente pode escolher o provedor. O Vírtua lançou, para ajudar, um provedor de acesso gratuito.

A promoção da Net seduziu o engenheiro André Costa. Cliente do acesso de 128k do Vírtua (por R$ 49), André hoje tem 650k para download e 250k para upload. Mas a migração não foi fácil. Decidido a mudar de plano, ele pediu à operadora para pagar o preço de novos assinantes. O problema é que seu provedor não aceitava o aumento de banda (teve de trocá-lo). Além disso, a atendente não oferecia uma tabela que explicasse o quanto ele devia pagar pela migração.

— Normalmente, clientes antigos são deixados em segundo plano. As promoções de preços e novas funcionalidades valem apenas para novos assinantes. Tive que ouvir isso algumas vezes — diz.

Não à toa, tem gente correndo atrás de outras opções de acesso. Os provedores de internet a rádio, por exemplo, lutam para conquistar uma fatia de mercado que inclua moradores de locais não atendidos por Velox e Vírtua e/ou aqueles que desejam maior velocidade e acesso bidirecional (mesma velocidade para download e upload).

Segundo Rogério Passy, diretor do MLS, os provedores de acesso vendem errado as velocidades de conexão.

— As operadoras só prometem 10% da velocidade que vendem. Quem contratar, por exemplo, 2Mb, pode se surpreender ao constatar que na verdade sua velocidade é de 200kbps em alguns momentos — diz. — Alta velocidade é um nome de fantasia. Se você medir nunca vai chegar ao que contrata. O custo de backbone para estas velocidades é muito alto.

Com o rádio seria diferente? Rogério diz que, ao contrário do ADSL (Velox) e do cabo (Virtua), o acesso via rádio é bidirecional. Para usuários residenciais, o MLS oferece velocidades de 2Mb a 600 prédios no Rio. Mas se a velocidade é real e, o preço, menor (R$ 49 por 512kbps e R$ 79 por 2Mb, sem provedor), por que a conexão via rádio não decola?

— É porque não somos bancados por um grande empresa — diz Rogério.

Não é só isso. Para contratar uma conexão via rádio, o cliente precisa reunir mais usuários do mesmo prédio, pois o provedor precisa instalar uma antena no alto do edifício e distribuir por cabos o sinal até os apartamentos. Não vale a pena levar a conexão a um só domicílio.

O MLS não é o único provedor de internet a rádio no Rio. A RJnet, por exemplo, atende Recreio, Jacarepaguá, Barra, Vila Isabel, Centro e Tijuca, com planos individuais e condominiais. Assim como a MLS, é necessário um estudo para a contratação dos serviços.

O carioca Paulo Afonso Teixeira é um feliz usuário de internet a rádio. No Rio, usa Virtua, mas para a casa de Iguabinha contratou o acesso via rádio da Iguaba Psi.

— De início tive algumas interrupções no serviço, mas hoje está bom. Optei por 128 kbps e pago R$ 64,40 por mês. É caro, em comparação com os preços praticados no Rio, mas já houve redução de preço.

Correndo por fora, os provedores de acesso via satélite enfrentam problemas maiores. Pagam mais imposto que os concorrentes (40% de ICMS) e sofrem com o desconhecimento da abrangência e da tecnologia usada. Segundo Eduardo Aspesi, presidente da Hispamar, operadora do satélite Amazonas, este tipo de acesso ainda é um “diamante bruto a ser lapidado”.

Contratar acesso via Hispamar hoje sairia por R$ 442, mas o contrato prevê o uso em até cinco micros. Ou seja, é possível reunir cinco vizinhos e contratar o acesso via satélite, pagando cerca de R$ 80 cada um. A empresa instala a antena (VSAT) e o decoder, que repassa o sinal. Dispensa telefone e provedor.

— O acesso via satélite pode custar quase a mesma coisa que a internet discada — garante Eduardo.

Conseguiu se decidir? Calma. Na semana que vem, voltaremos ao assunto...

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