E a luta da conexão continua
Elis Monteiro
Página 2
Caderno Info, Etc, jornal O Globo - Rio de Janeiro, 08/05/2006
Se há um assunto que sempre suscita discussões é conexão. Na edição passada, falamos sobre a insatisfação dos clientes com a baixa velocidade alcançada pelos serviços de banda larga, apesar de as operadoras terem aumentado as opções. E recebemos uma chuva de cartas justificando os temores: o problema não é só a velocidade. O mercado como um todo está uma confusão só...
O segundo ponto mais debatido foi a necessidade (ou não) do provedor de acesso para a conexão. É ponto pacífico: a lei brasileira (leia-se Anatel, a agência regulatória do setor) não permite que empresas de telecomunicações ofereçam provimento de acesso. Por isso, a necessidade da figura do provedor. A questão é que o Vírtua, da NET, lançou o serviço Mega Flash, que pode ser usado com provedor gratuito, da própria NET. Furou a legislação então?
— O Vírtua não deixou de exigir provedor. O Vírtua dá condições iguais para os provedores oferecerem os serviços em nossa rede. Se antes o provedor era uma espécie de pedágio, agora quem está no jogo deve acrescentar valor ao seu serviço — explica Márcio Carvalho, diretor de produtos e serviços da NET.
O que Márcio quer dizer é que, tecnicamente, a figura do provedor não é indispensável para que haja conexão. Por isso, os provedores devem diversificar seus serviços para fazer parte da oferta de conexão.
Não é briga recente. No caderninho já falamos mil vezes sobre a disputa entre provedores e grandes conglomerados de telecom e empresas de TV a cabo. Os primeiros querem continuar prestando o serviço. Mas e o consumidor, o que deseja? O Vírtua foi investigar. Constatou que a autenticação via provedor incomoda — por isso a empresa criou a modalidade “click to go” (clique para ir). Ou seja, o usuário liga o computador e sai navegando, sem precisar conectar-se ao provedor.
O que os provedores acham disso? Não gostam, claro.
— A legislação diz que as operadoras de telefonia não podem fornecer acesso à internet, para não virar monopólio. Isso favorece o usuário, já que o provedor oferece uma camada de serviços através do par de fios metálicos (infra-estrutura de acesso). Além disso, é o provedor que pressiona as operadoras para baixar o preço — diz Koiti Inagaki, diretor de produtos de acesso do Terra.
Ainda segundo Koiti, eliminar o provedor não significaria preço menor nem qualidade superior. Disse ainda que a autenticação via provedor serviria, dentre outras coisas, para identificar, para fins legais, quem acessa o serviço e a que horas.
Velocidade nunca vai ser o que o cliente quer?
A velocidade do acesso também anda incomodando. Está no contrato: a operadora só garante 10% do que vende — se você contrata 2Mbps, pode ter 200kbps sem que o provedor tenha de responder por isso.
— A internet pública é um ambiente que ninguém controla. É impossível garantir a velocidade. Mas nossos usuários não têm reclamado das velocidades que atingem — diz Márcio. — Por isso, recomendamos que, enquanto navegam, abram vários aplicativos ao mesmo tempo. Assim eles poderão medir a velocidade na prática.
A desvinculação da venda de TV a cabo turbinou os números do Vírtua que, agora, já soma mais de 450 mil clientes.
— No Rio eu uso o Vírtua e estou satisfeito. Basta ligar o micro e já estou conectado — diz o carioca Paulo Afonso Teixeira, que comemora o preço de R$ 84 por Net/Vírtua.