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Qual é a sua banda larga?


Velocidades que chegam a 8 megabits/segundo, plaquinhas wireless EDGE (em GSM) e 1xEVDO (em CDMA), satélite, rádio, DSL, cable? Estas são, grosso modo, as modalidades de banda larga oferecidas hoje no mercado brasileiro. Não dá para esquecer, claro, do dial-up velho de guerra, que ainda é a forma de conexão mais usada pelo brasileiro – nas últimas contas, ele estava com 40% de penetração. Ou seja, para este imenso universo de usuários, multimídia ainda é luxo e YouTube é palavrinha pouco conhecida, assim como outros serviços que demandam acesso de qualidade – e velocidade, claro - superior.

Com o “casamento” entre as operadoras de telefonia fixa e móvel e as empresas prestadoras de TV a cabo, o mercado ganha planos mais atraentes. Recentemente, a Telefônica, uma das companhias que controla a operadora Vivo (a outra é a Portugal Telecom), anunciou a aquisição da TVA, operadora de TV a cabo. Enquanto isso, segue de vento em popa o casamento entre a Embratel e a Net – ambas têm como acionista o mesmo grupo, o América Móvil, de propriedade do mexicano Carlos Slim, um dos homens mais ricos do mundo.

As operadoras de telefonia fixa continuam apostando suas fichas no DSL e, agora, partem para o investimento em redes de melhor qualidade. Na Europa, o movimento de substituição dos antigos cabos de cobre pela fibra óptica está fervendo, assim como nos Estados Unidos, onde a AT&T já está oferecendo conexões em altíssimas velocidades com a utilização da fibra óptica de ponta a ponta (tecnologia batizada de Fiber to the Home, ou FTTH). Esta foi, aliás, uma das principais abordagens do Broadband World Forum Europe, congresso mundial de banda larga realizado em outubro, em Paris, ao qual tive o prazer de comparecer.

Ainda é muito cedo para falar em fibra óptica até a casa do usuário no Brasil. Os custos são elevados e o mercado brasileiro não deu retorno suficiente em banda larga para que as empresas se empolguem em fornecer este tipo de conexão em larga escala. Mesmo assim, as notícias que temos aqui são animadoras.

A banda larga ainda é privilégio de poucos – pouco mais de quatro milhões de pessoas já assinaram planos de acesso em alta velocidade, somando-se todas as modalidades citadas acima. Isso, num universo de, segundo o Ibope Net/Ratings, 30 milhões de internautas. Ou seja, potencial, há.

Mas o preço do acesso em banda larga tem caído mês a mês e a tendência é a substituição gradual do dial-up – dispendioso por natureza, por conta das altas tarifas da telefonia fixa – pelas formas mais velozes de acesso.

As operadoras de acesso via satélite até que tentaram – e continuam tentando – preencher uma lacuna que ainda é muito visível. A StarOne, da Embratel, é um exemplo, assim como a Hispamar. Mas os custos de instalação da infra-estrutura necessária ainda assustam os clientes e a pressão por parte das operadoras de telefonia fixa torna o DSL mais atraente, assim como o acesso via cabo, que andou dando sinais de enfraquecimento.

Acabou recobrando o fôlego, no entanto, depois de consolidado o casamento da Net/Vírtua com a Embratel. Com o casamento, veio a idéia de seduzir o consumidor oferecendo um pacote de serviços – telefone fixo em Voip + TV a cabo + banda larga.

Nesta equação, no entanto, um personagem faz falta: a assistência técnica personalizada, que os provedores “à antiga” ainda prestam e que, nas novas modalidades, acaba sendo relegada a segundo plano. É a velha questão de grandes empresas pecarem por desejarem mais clientes do que o próprio SAC é capaz de atender.

Assim que a Telefônica anunciou a compra da TVA, a primeira pergunta que passou pela cabeça dos usuários – principalmente aqueles satisfeitos com o atendimento da operadora de TV a cabo - foi “os call centers serão fundidos”? A preocupação faz sentido: a Telefônica, assim como seu braço móvel, a Vivo, ainda são campeãs absolutas de reclamações por parte dos clientes. E os Procons e as editorias de Defesa do Consumidor dos grandes jornais estão aí para provar.

Quanto ao serviço prestado pelas operadoras fixas, a reclamação fica por conta da incapacidade de, até agora, suprir a demanda reprimida que clama por maiores velocidades. O que mais se tem notícia hoje é de clientes que desejam migrar para as novas modalidades e simplesmente não conseguem. Novos assinantes são bem-vindos, mas os anteriores costumam entrar em longas filas de espera que, ainda por cima, privilegiam os grandes centros em detrimento das regiões metropolitanas.

E a banda larga móvel, onde entra nessa história? Como tecnologia e como experiência, não tem preço ter acesso móvel e sem fio à internet – e a email e outras funções que demandam conexão ininterrupta de qualidade. Mas os preços ainda são altos. Mesmo assim, Vivo, Claro, TIM e Oi apostam no cliente de alto retorno e disponibilizam placas de conexão wireless. Destas, a de maior velocidade, até agora, é a EVDO, da Vivo, seguida pelas placas EDGE, adotadas pelas operadoras GSM.

E se a onda do satélite ainda não deu certo, a conexão a rádio continua sendo a salvação de muitos consumidores. Assim como o satélite, os provedores de conexão a rádio prometem acesso bidirecional – alta velocidade no download e no upload - e preços mais camaradas, além do fato de chegarem aonde o DSL e o cabo não chegam.

No interior dos grandes estados, onde sequer existe previsão para a chegada do DSL – o baixo número de usuários não compensa a infra-estrutura a ser instalada, dizem as operadoras – o rádio ainda é a salvação, uma vez que as conexões dial-up dependem de ligações DDD. Ou seja, saem caras demais.

Em se tratando de Brasil, o DSL é a grande aposta, pelo menos enquanto não chegarem as novas tecnologias de acesso sem fio, como a WiMax, prevista para “começar a dar as caras” em 2007.

É no DSL que grandes empresas como Alcatel-Lucent e Ericsson, dentre outras, têm investido por aqui. E a proposta é incrementar a planta aos poucos, uma vez que novos investimentos refletiriam nos custos finais, o que não cairia bem na fase de sedução de novos clientes. Em termos de velocidade, ainda estamos muito atrás de países europeus e, principalmente, do mercado americano, onde a maioria absoluta dos usuários de internet acessa em altas velocidades – dial-up, na terra do Tio Sam, é considerado ultrapassado.

Em alguns testes efetuados em território norte-americano, já se conseguiu atingir velocidades comerciais de 100Mbps, mais de dez vezes o maior pacote de acesso disponível no mercado brasileiro. Isso sem contar, claro, que ao contratar um serviço de banda larga diretamente da operadora – Telemar, Telefônica ou Brasil Telecom – o cliente só tem a garantia de alcançar meros 10%. Está no contrato.

Os preços, no entanto, começam a tornar a brincadeira mais real. Se antes não se pagava menos que R$ 200 por um pequeno link de 256Kbps, agora se paga R$ 62,90 por 1Mbps. Há ainda opções de 2Mbps, 4Mbps e 8Mbps. É claro que, com o compartilhamento de banda entre os usuários, não se chega a toda essa velocidade, mas já é um bom começo.

O que dá para depreender de todo o cenário? Simples: o momento é de consolidação das tecnologias e de aumento na base de clientes. Quanto mais consumidores assinarem contratos de acesso em alta velocidade, mais as operadoras e provedores ganham e a tendência é o preço cair. Some-se a isso uma concorrência acirrada e o consumidor pode ter motivos de sobra para se animar. Sim, haverá banda larga para todos, mesmo que tardia.

Elis Monteiro é repórter e colunista do caderno Info etc do Jornal O Globo, foi repórter especial do caderno Informática do Jornal do Brasil, onde participou da equipe responsável pela criação do caderno Internet.

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