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iPhone 3G: agora sim vale a pena

iPhone 3G: agora sim vale a pena  - Coluna Elis Monteiro

Deu em tudo quanto foi jornal: o iPhone, enfim, deve chegar ao Brasil até o fim do ano. A princípio anunciado pela operadora Claro, ele deve ser lançado também pela Vivo. Ou seja, depois de quase dois anos do lançamento nos Estados Unidos, não vai faltar iPhone no mercado brasileiro.  É uma boa notícia, claro. Mas será que merecia toda essa badalação? Tenho lá minhas dúvidas.

Quando foi lançado, em janeiro de 2007, durante uma MacWorld, em São Francisco, o iPhone foi apresentado como a maior revolução no mundo das telecomunicações móveis de todos os tempos. Concordo até que o aparelho tem muito de revolucionário, principalmente por conta da tecnologia MultiTouching, mas não passa muito disso não. Há muitos aparelhos melhores à venda que sequer ganham menções nas páginas dos jornais. Por que será, então, que o iPhone vira manchete e, o resto, sequer notinha de rodapé?

Aqui entra o fator Apple. É inegável: tudo em que o impressionante Steve Jobs toca vira ouro. Ele é o Midas da informática. Primeiro fez o maior sucesso com seus iBooks e iMacs, depois lançou o MP3 player iPod, esse sim um aparelho revolucionário, e, agora, consegue atrair os holofotes sempre que anuncia uma melhoria para o iPhone, ou uma memória maior para o iPod, ou uma carcaça nova para os MacBooks.

A questão é que a Apple se especializou em surpreender. O MacBook Air, por exemplo, pode não ser o melhor dos notebooks do planeta no quesito tecnologia, mas com certeza é o mais interessante do momento – e o mais fino também. O fator surpresa fica por conta do tamanho e da espessura, num mercado em que quase todos os produtos se parecem.

O iPhone também é, digamos, diferente. Mas tinha tudo para não ser um produto de ponta – tem Bluetooth “capado”, não é 3G (estamos falando ainda da primeira versão do produto), não permite o envio de mensagens multimídia (MMS), ou seja, tem uma série de limitações que acabaram afastando os aficionados em tecnologia das prateleiras da Apple.  Aqui, no entanto, entra o gênio de Steve Jobs, que acabou conseguindo vender a imagem de produto de última geração para um aparelho que não é lá essas coisas. E assim o iPhone se tornou sucesso de vendas – estima-se que até 2011 a Apple já tenha vendido nada menos que 30 milhões de unidades.

Agora, no entanto, é que a brincadeira vai começar a ficar séria – é que, além de ser lançado no Brasil, o iPhone vai ganhar uma versão de terceira geração (3G). O aparelho, que já está sendo chamado de iPhone 2.0, traz todas as funções do antecessor e ainda corrige os pequenos defeitos da primeira geração. E, claro, conta com a genialidade de Jobs e com a máquina de marketing chamada Apple.

A boa notícia é que o preço da delícia aqui no Brasil não ficará muito alto – a Apple, juntamente com as parceiras Telefônica (dona da Vivo) e América Móvil (dona da Claro), reafirmou a intenção de lançá-lo, aqui, com o preço equivalente em dólares. Difícil acreditar, uma vez que temos uma das cargas tributárias mais altas do planeta.

Enquanto isso, só nos resta sonhar com novidades como a existência de um número maior de conexões possíveis à internet – o novo modelo vai aceitar Wi-Fi, redes de terceira geração, tecnologia GPS, dentre outras novidades. O grande trunfo, no entanto, está na maior velocidade na execução de aplicativos, principalmente games, além de uma ligação mais íntima com a internet e com a TV Digital. E, o que é mais importante: o iPhone 3G usará banda larga de fato, o que deve contribuir para um sucesso ainda maior, já que será pelo menos 2.7x mais rápido que o antecessor.

Agora sim, com a chegada do iPhone 3G, pode ser que valha a pena ter um. A primeira geração do telefone, que chegava a custar R$ 2 mil, pecava pela falta de diversos recursos que, sabe-se lá por que, a Apple decidiu não incluir. Outro problema é que a Apple simplesmente deixou de prestigiar o mundo corporativo, ao não incluir aplicativos de organização e dar pouco valor às funções de conectividade. Com o iPhone 3G, que trará até integração com servidores Microsoft Exchange, isso deve ser corrigido.

A empresa comandada por Steve Jobs também decidiu rever a rígida política de vendas do aparelho. Assim, pode ser que a segunda geração não renda tantos problemas – o iPhone 1.0 acabou, por conta das tais restrições, alvo preferencial dos hackers de plantão.

O corpo do iPhone também deve passar por mudanças, ainda discretas. A nova versão é um pouco mais fina e a carcaça terá uma tampa de plástico na parte traseira menos vulnerável a arranhões e manchas.

Por último, o preço caiu consideravelmente – a primeira versão custava US$ 499 quando foi lançada. Pois o iPhone 3G deverá ser lançado por US$ 199 (o de 8GB) no mercado americano. Isso sim é uma boa sacada da Apple. Depois de tanta notícia boa, rezemos para que ele chegue logo por aqui.

Elis Monteiro é repórter e colunista do caderno Info etc do Jornal O Globo, foi repórter especial do caderno Informática do Jornal do Brasil, onde participou da equipe responsável pela criação do caderno Internet.

» Para comentar esta matéria entre em contato com a Elis Monteiro.

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